Nunca se esqueça

Rocky

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Painel Graphic MSP

Escrevi este texto na noite de sexta-feira, ainda meio intoxicado com o que aconteceu no auditório do FIQ, durante o painel das Graphic MSP. Foi um momento muito especial para todo mundo que estava lá e eu não poderia deixar de tentar captar o sentimento que transbordava em texto. Então tá aí:

A humanidade registra, em sua ainda breve estada por aqui, alguns momentos históricos recentes que redefiniram a maneira como olhamos para determinados aspectos da nossa existência enquanto seres de uma única espécie. A queda do muro de Berlin, o menino parando a fila de tanques na praça da paz celestial em Pequim, o acidente da Challenger, são apenas alguns exemplos. Há, claro, diversos outros. Em uma escala menor, podemos identificar exemplos tão sísmicos quanto em nossas áreas de atuação. No espaço por onde navego, talvez momentos de relevância ímpar tenham sido o recebimento do cheque de 130 dólares por Jerry Siegel e Joe Shuster cedendo todos os direitos do Super-Homem à DC Comics, o lançamento de Quarteto Fantástico #1, a criação da Métal Hurlant e da 2000AD, a publicação da primeira tira do Bidu, entre tantos outros.

Mas são raras, muito raras, as vezes que nós conseguimos ver coisas importantes acontecendo no exato momento no qual elas acontecem. Para quem trabalha com quadrinhos, então – e passa boa parte do seu tempo grudado a uma cadeira e a uma prancheta – viver a história de corpo presente é evento tão insólito que nos acostumamos a ler sobre “a vida, o universo e tudo mais” nos diversos meios de comunicação de massa aos quais temos acesso.

 Por isso, quando acontece de presenciarmos um novo tempo se abrindo literalmente em frente aos nossos olhos, temos que levá-lo na mente e no coração com os mesmos carinho e o cuidado com os quais levamos nossas mais preciosas experiências pessoais.

 Ontem, no auditório do FIQ, foi isto o que aconteceu. Durante a palestra da Mauricio de Sousa Produções presenciamos o que significa ser parte de um círculo que ama o que lê e o que faz. Nos tornamos uma presença só, uma grande comunidade formada de indivíduos que trazem consigo, numa espécie de memória afetiva coletiva, o amor por personagens e por um autor que transcende tempo, espaço, gênero, cor, credo e raça. Que vai além, como o amor tem que fazer, das pequenezas que também (infelizmente) marcam a nossa passagem por este pequeno planeta azul. Fomos ali, naquele pequeno espaço, muito além dos nossos sonhos. O que nos fez, pois, testemunhas presentes da história.

 Só por isso já deveríamos agradecer a presença do próprio Mauricio de Sousa no evento, a mediação emotiva de Sidney Gusman e a sincera demonstração de afeto de todos os presentes. Mas não parou por aí. Além de aprender um pouco mais sobre os projetos das Graphic MSP já lançadas, ficamos conhecendo ainda quais serão os novos projetos da editora. Meu irmão, Eduardo Damasceno, e seu comparsa no crime, Luís Felipe Garrocho, farão o Bidu; os incríveis Cristina Eiko e Paulo Crumbim, a Turma do Penadinho; Renato Guedes e Marcela Godoy farão Papa-Capim e Greg Tocchini, Davi Calil e Artur Fujita serão os encarregados da Turma da Mata. Além disso, foi confirmado os já aguardados Astronauta 2 (Danilo Beyruth e Cris Peter) e Turma da Mônica 2, dos meus queridos Vitor e Lu Cafaggi.

 É agridoce dizer que as informações descritas acima (encontradas em sites especializados e portais de notícias ao redor da internet hoje) foram mera nota em um evento muito maior. Pautado pela emoção que parecia escorrer dos dedos, o acontecimento em si – o estar lá naquela hora e experienciar aquela vibração – é que foi a atração principal. Sentir aquele auditório é que foi o momento histórico. Estar ali foi um privilégio que vou levar para o resto da vida. E pelo qual vou agradecer para sempre a todos os envolvidos. Vocês me fizeram ver a história acontecendo. Muito obrigado mesmo.

Bidu

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Seria Melhor

capa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora existe de verdade.

SERIA MELHOR SE FOSSE MAIS FÁCIL é minha primeira revista em quadrinhos impressa. Está à venda no estande do Pandemônio, lá no FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos(na Serraria Souza Pinto, entrada gratuita, até domingo, dia 17).

É uma história infanto-juvenil, a respeito de um cara que, enjoado do que esta acontecendo em sua vida, resolve bater perna por aí e acaba tendo conversas e encontrando situações que podem indicar um futuro melhor. É uma pequena revista que, eu espero, traga uma história de grande coração.

Mesmo que você não apareça no FIQ, indique aos amigos, ajude a espalhar a notícia. Se não pela minha revista, pelas outras tantas que estão à venda no festival e no estande do Pandemônio. Tem de tudo por lá e é certo que você encontrará alguma coisa que vai te agradar.

Abraços.

(ps: estive lá no FIQ ontem de tarde e vou pra lá hoje de tarde. não sei como será a sexta e o sábado, mas no domingo estarei lá o dia inteiro, de manhã até a hora que acabar.)

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Meu Clube

quadrinho besta

desculpas à nextel

 

 

 

quadrinho besta

desculpas à nextel

 

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Para os que estão e vão continuar aqui

Ao longo dos anos da ditadura, vividos no Brasil entre 1964 e 1985, havia uma falácia governamental, cantada em verso e pregada em adesivos, que proclamava que o sentimento da população brasileira em relação ao próprio país deveria ser “Ame-o ou Deixe-o”. O que é uma frase forte, mas, dado o contexto da época, mentirosa. O que se queria dizer com isso era “ame-o da maneira que nós deixarmos ou, se tiver sorte e não morrer enquanto estiver sendo torturado, nós te expulsaremos sem muitos hematomas”. Apesar de mais perto da verdade, esta segunda frase não foi adotada como slogan do governo militar. Talvez por não ter o mesmo apelo imediatista da primeira, ou por não ser tão fácil de decorar ou porque iria gerar adesivos maiores e mais caros. Pura questão de marketing, é claro…

Ao nos depararmos com episódios de violência arbitrária de qualquer instância da aparelhagem estatal, as memórias daqueles anos fechados veem à tona, seja por quem os viveu, seja por quem estudou sobre eles, como é o meu caso. Em 1980, o rock nacional já estava em pleno movimento de retorno, as liberdades individuais davam sinal de que seriam uma realidade novamente, o Congresso Nacional aprovou as eleições diretas para governadores dos Estados e Distrito Federal, Eveline Schröeter foi coroada Miss Brasil, René Arnoux foi campeão do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, nosso país foi 17º colocado nas Olimpíadas de Moscou – onde o mundo chorou junto do ursinho Misha –, o Papa João Paulo II visitou o Brasil pela primeira vez e, mesmo tendo sofrido um aborto espontâneo no ano anterior, minha mãe conseguiu levar a gravidez que me gerou até o final. Motivos para voltar a sorrir estavam por toda parte.

Não me lembro dos movimentos das “diretas já” e tive a sorte de ter pais que não foram presos ou torturados, mas que, ao mesmo tempo, me educaram para ter a noção do que significava viver no Brasil antes dos anos 80. Especialmente depois do final de 1969, quando a ala conservadora dos militares apertou o cerco e nós deixamos de ser governados para sermos vítimas do nosso próprio governo. Assim, para os que, como eu, não viveram tais tempos sombrios, mas que entendem o que aqueles significaram, o cerceamento de liberdades e a violência policial fazem parte do inconsciente coletivo. Revivemos o que não foi do nosso tempo e experienciamos parte do que foi o não poder falar daqueles 21 anos duros.

Alguns meios de comunicação e os relatos oficiais que insistem em esconder verdades são representativos daqueles momentos. Lembremos que, na versão da Polícia Militar, a guerra da semana passada em São Paulo deixou 12 policiais feridos e nenhum civil. Como se as fotos, os vídeos, os depoimentos, os relatos de si captados no lugar ou compartilhados após os eventos fossem frutos da imaginação. Como se os feridos nos olhos, nas pernas, nas almas, fossem construtos montados no éter e dispensados numa Avenida Paulista imaginária, que, por determinação de algum semideus traquinas, se tornou a Avenida Paulista real. Não e renão. Aquilo aconteceu de verdade, pessoas se machucaram e foram machucadas, a brutalidade deu o tom, as bombas deram a batida e as balas, a cadência. Ainda assim, há quem insista em esconder – atrás de um discurso que mistura desprezo por quem se rebelou com revolta pelos transtornos que estes transtornos causaram – que existem problemas sérios no Brasil.

As melhorias às quais o país tem direito independente de qualquer evento, nem com Copas e Olimpíadas foram feitas. O preço das coisas dispara, a inflação volta a ser uma questão séria, os políticos aumentam os próprios salários, diminui os salários de professores, a FIFA manda e desmanda e não consegue organizar nem a distribuição de ingressos, a polícia bate, a população apanha e a revolta aumenta. Aqueles motivos para sorrir de antes não são mais tão motivadores. Cada um tem suas próprias demandas. Não é por acaso que a polícia reclama da falta de liderança dos movimentos que se mobilizam junto aos estádios. São tantos os problemas que o Brasil enfrenta, que se pode trocar de bandeira a cada quilômetro caminhado numa marcha qualquer de protesto, sem que se esgotem os temas que deveriam ser abordados pelos políticos dos país, ainda que a marcha vá de uma ponta a outra da grande São Paulo.

É estranho lembrar que muitos políticos hoje no governo fizeram parte daquelas manifestações contra o “ame-o ou deixe-o” de outros tempos. Podemos apenas imaginar o que se passa na cabeça destas pessoas que tomaram borrachada das forças de repressão há quase vinte anos, ao verem que são eles agora que seguram os fios atados aos braços dos fantoches que batem. Será que olham com olhos tristes ou o poder dá uma perspectiva antes impossível?

Pode parecer contraditório, mas não duvido que estes políticos amem o país de verdade. À maneira deles, que para mim se mistura com certa obrigação nacional de compensá-los pelos sofrimentos aos quais foram submetidos, mas amam ainda assim. E, também por motivos que julgo serem diferentes daqueles dos políticos, não queremos abandonar o barco. Amamos e ficamos por motivos distintos, mas sinceros em suas particularidades, porque é assim que se ama e se deixa. Cada um tem seus motivos.

Aqui embaixo, queremos que o fato de amar o Brasil seja menos um ato de fé no que pode ser e mais uma realidade fundada no que é. Aqueles que se manifestam agora, o fazem (além de tudo) também por amor, deste amor que não escolhe maneira de ser e nem se conforma em seguir regras de amar determinadas por governanças. É um amor plural, que se expressa das mais variadas formas. Às vezes, sim, vamos puxar a orelha deste nosso amor, porque não acertamos todos sempre, mas temos que ter a noção de que não o estamos fazendo para prejudicar. É para melhorar e para edificar o amor, para que o simples ato de amar o Brasil seja menos oneroso e mais feliz.

Queremos, claro, que outras pessoas e povos o amem também. Mas sabemos que estes outros povos não possuem a embebida pré-disposição de amar nosso país que nos é inerente. Temos que fazer por onde. Com movimentos que informem que não estamos gostando do que acontece por aqui, com vaias aos políticos que acreditam que somos idiotas, com festa a cada gol do Brasil, com aplausos de reconhecimento aos craques de outros times, com questionamentos aos desmandos, com empatia pelos desmandados. Torcemos para que tudo funcione em parte para que as pessoas possam voltar mais vezes ao Brasil, dizendo o quanto gostaram de estar aqui, mas, principalmente, porque nós não o deixaremos e é preciso fazer com que o Brasil funcione para nós mesmos.

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Meu clube 03

Meu clube 03

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Joey Ramone

 

Joey Ramone, originally uploaded by Robert_Ball.

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