Arquivos Mensais: Fevereiro 2008

Entrou um morcegão aqui em casa hoje de noite. De verdade.

Enorme.

Eu estava escrevendo no computador da sala quando o bicho entrou pela janela da cozinha. Voou através da sala toda e pousou perto da porta principal. Eu chamei
o meu irmão.

– Du! Tem um morcego na sala!

Ele veio e, quando saiu do corredor, o morcego voou em sua direção. Nunca vi uma pessoa deitar no chão e se arrastar com tanta velocidade e vontade. Uma hora ele estava de pé no corredor e no milésimo de segundo seguinte ele estava deitado e se arrastando pela sala. O morcego voou para o quarto dele e pousou na beirada de em um dos seus travesseiros, ficando dependurado, todo fora da cama.

Sugeri que o fizéssemos voar e fechássemos a porta do quarto. Com a janela aberta, seria uma questão de tempo até o bicho achar o seu caminho para sua casa lá fora (Depois descobri que essa técnica é furada, mas na hora parecia uma idéia brilhante). O Dudu tentou fechar a porta do banheiro do quarto dele, antes de fecharmos a porta do quarto, e o danado tornou a voar, voltando pra sala.

Ficamos esperando ele se decidir, já que hora ele estava na sala, hora no corredor. À essa altura, já tínhamos nos acostumados com sua presença e estávamos curtindo a situação. Ele finalmente pousou na porta do banheiro e eu tentei jogar um pano sobre ele, mas errei. Ele voou mais um pouco e pousou no final do corredor, entre a porta do meu quarto e do quarto do Dudu.
Eu voltei para o computador, com a certeza de que uma hora o bicho ia achar um jeito de dar o fora. Quando olhei para o lado, vi o Dudu andando devagarzinho, com o cesto de roupa sujas na mão, indo em direção ao morcego. Deixei ele fazer o que achasse melhor e, de repente, eu escutei um BAM!, seguido de gritos de alegria.

– Peguei ele! Peguei! — e ele realmente o tinha pego. Cheguei no corredor e vi através dos buracos no cesto de roupa um morcego se debatendo.

O coitado ficou em pânico, tentando voar e mal conseguindo sair do chão. Mas ele logo se acalmou e eu descasquei uma laranja e piquei alguns pedacinhos.
Coloquei os pedaços de laranja dentro do cesto e ele comeu um deles. Logo depois ele começou a escalar o cesto, apoiando nos buracos, e ficou quietinho durante alguns segundos. Foi a nossa chance.

Pegamos uma toalha velha e a estendemos ao lado do cesto. Eu o peguei e coloquei sobre a toalha. Fechamos as pontas e o prendemos. Ele tornou a se debater. Mas o levamos rapidamente para a janela da cozinha, provavelmente a mesma pela qual ele entrou, colocamos a boca do cesto pra fora e soltamos uma das pontas da toalha.

Bruce voou imediatamente, em direção à noite. Sim, ele tem nome agora. Bruce. Tão feio, mas tão feio e esquisito, que se torna meio que bonito e gracioso, de
sua maneira peculiar.

Ou talvez eu esteja sendo carinhoso demais só porque e apeguei ao Bruce, porque a verdade é que o bicho é feio pra cacete mesmo.

O desenho ali em cima é do meu irmão, em homenagem ao nosso bichinho.


O que existe na imagem que fazemos de nós mesmos? Auto-piedade, auto-afirmação?

“Existe o que o capitão quer que exista”, diria o bom soldado antes de se jogar na trincheira mais próxima para morrer em pedaços. Você sabe… pela pátria amada, idolatrada, salve, salve.

“Existe o nada e o tudo e… o importante é a subjetividade… Do quê? Exatamente daquilo que não é ao mesmo tempo em que existe no mundo e portanto, é.” — diria um velho amigo, em um dos seus discursos que procura demonstrar a quem está em volta que seus anos de faculdade não foram desperdiçados.

Esse desenho é um auto-retrato, feito há tempos, quando a infelicidade era o estado default e nada parecia ter muito valor. A vida incluída.

Mas o tempo passou, ajuda foi procurada e, de fato, ajudou, o tempo dos auto-retratos já não está mais aqui (ao mesmo em que está e essa metafísica toda) e a infelicidade já não é mais constante. Ela ainda espreita vez ou outra, como tem que ser, para dar sabor às coisas e criar contraste.

Ficou a arte, que é o mais importante.

“Não é a vida que alimenta a arte. É o contrário” — Stephen King

Depois de duas semanas completamente ocupado, estou dando uma saída para recarregar as baterias.

flying

Vejo vocês na semana que vem.

Abraços, crianças.

Unfinished alien bitch, originally uploaded by Leandro Damasceno.

Talvez eu consiga terminar até amanhã, talvez não. Quem sabe? Só visitando o site mesmo pra tirar a dúvida.

É sério. Vai mesmo. Com força, rodando, de rodinha, do jeito que você preferir. Mas vai!

Há alguns anos meu irmão mais novo tinha cabelo grande e desgrenhado. Era legal ver ele todos os dias com aquele cabelo muito rebelde, então resolvi desenhá-lo, o que não era lá um grande desafio. O menino parecia uma caricatura ambulante. Achei esse desenho num velho caderno de esboço e resolvi colorir só pra quebrar a seqüência de posts em preto e branco.

duda

Amanhã, se o tempo permitir, quadrinhos! Uhu!

Problemas de conexão impediram-me de postar ontem. Então aqui vão dois sem tirar, no bom sentido.

Dragon 3

Esse foi o primeiro dragão que desenhei na vida. é baseado/copiado de uma famosa ilustração de dragão. Um rápida busca no google e você deve achar o dragão original. Ainda assim eu gosto muito desse.

caçado de dragões

Esse é o caçador de dragões das cavernas. Eu fiz o desenho do bárbaro há muito tempo, brincando de desenhar caras fortões. Depois, na aula, comecei a rabiscar na mesma folha onde o bárbaro estava desenhado e, como eu estava fazendo vários dragões na época, acabou surgindo isso.

A mitologia do caçador/domador de dragões surgiu quase imediatamente após o desenho estar pronto. Logo eu posto histórias do caçador em uma de suas missões para matar “a última dezena de dragões que ainda habitam o planeta”.

Dragão 2 de 3. Esse é um dragão maneta. Por que ele é maneta? Ora, porque ele lutou com um dos caçadores de dragões. Vai me dizer que você não conhece os caçadores de dragões!?

Dragão 2

Ok, eu posto um caçador de dragões assim que a série de dragões acabar. Ou seja, depois de amanhã.