Arquivos Mensais: Junho 2009

Aconteceu em uma noite de natal.

Mesmo convivendo de perto (e durante muito tempo) com pessoas que adoram natal, eu ainda não consigo me acostumar com essa festa. Meu desagrado tem a ver com traumas familiares, episódios que seriam melhor esquecidos e mágoas em geral;  não com “o natal é só comércio e nada mais”.

Sendo assim, é jogar contra o time da casa dizer que aprendi uma lição importante durante uma noite de natal, quando tudo o que eu queria fazer era desaparecer e não estar ali e sumir e desmaterializar e não ouvir, falar ou ver nada.

Mas assim foi.

O que aconteceu: fui acusado de deseducar a cachorra dos meus pais, uma collie linda e imbecil chamada Yanka, porque eu a deixo entrar dentro de casa, quando meus pais fazem de tudo para mantê-la do lado de fora da casa. Mas eu não vou visitar meus pais toda semana e, quando estou lá, é divertido ter Yanka do meu lado quando vou tomar café ou enquanto estou no computador da sala. A cachorra é uma retardada, mas ela também é uma fofa, não caga ou mija dentro de casa e tudo o que ela gosta de fazer de verdade é ficar perto de gente. Então eu deixo ela ficar perto de mim.

Mesmo explicando isso tudo, o veredito já estava dado: Leandro é o único daqui de casa que deseduca a Yanka.

Ao ouvir isso (e a minha explicação), uma das convidadas daquela noite de natal disse: Não tem nada disso, Leandro. O AMOR NÃO DESEDUCA!

Eu poderia continuar durante horas aqui, falando sobre o que essa frase significou ou sobre o poder das palavras e toda essa bobagem, mas não é preciso.

O Amor não deseduca.

Tá tudo dito.

Leandro

Hoje, 12 de junho, é dia dos namorados aqui por essas bandas “and I feel fine”.

Faz tempo desde a última vez que passei o dia dos namorados sem namorada, mas como meu namoro era à distância, aprendi rapidinho que datas não significam porra nenhuma e que eram os momentos que passávamos juntos que deveriam ser celebrados. Fossem esses momentos “datas comemorativas” ou uma quarta-feira brava qualquer.

Acho que as quartas-feiras que passamos juntos foram melhores do que as datas comemorativas. Não existia a pressão de fazer daqueles dias alguma coisa especial e éramos só nós dois, curtindo a nossa vida, sendo nós mesmos, fazendo o que gostávamos de fazer sem se importar com o que o outro iria pensar ou esquecer ou gostar ou detestar ou…

Isso pode parecer uma desculpa para não comprar presentes, mas te garanto que não é. Sempre comprei presentes nas datas que eles contam para gente que são especiais. Só que o legal mesmo era comprar presentes em dias “normais”, onde nada era necessário comemorar fora o fato de estarmos juntos.

Meu relacionamento não existe mais. Aprendi muita coisa ao longo dos anos que passei namorando e mudei muito nesse tempo. Mas essa percepção de que datas não são importantes ainda permanece. Acredito mesmo que datas são irrelevantes e que o que vale mesmo é o dia-a-dia. Pense comigo: se o cara desce o cacete na mulher todos os dias, mas não se esquece de um aniversário ou dia dos namorados, ele é um bom marido? Tá, pode ser que esse exemplo seja exagerado (apesar de eu garantir que é baseado em fatos reais), mas é nesse nível de importância que muitas pessoas colocam essas datas.

No entanto, como eu disse, não force a barra. Faça a sua parte. Compre flores, mande um cartão, ascenda velas na mesa de jantar e curta a sua companhia. Faça coisas que informem à pessoa de quem você gosta que você se importa. É um sentimento gostoso, esse de saber que somos importantes.

E caso ninguém tenha lhe dito isso hoje, escute de mim: você é importante!

Feliz Dia dos Namorados.

Leandro

“Faça e fuça e fossa e vai…
Feliz por saber que só sei que num sei”



Tive uma epifania nesses dias. Aprendi de repente o que tentaram me ensinar durante muito tempo. De repente, quando eu precisava, o conhecimento se ascentou, as coisas ficaram mais claras e a vida agora pode seguir rumo à próxima tempestade.

É politicamente incorreto falar sobre tempestades quando a tragédia do voo 447 é ainda tão recente? A correção política nunca foi uma das minhas virtudes, então ignore essa pergunta aí em cima, sim?

Não, esse texto não tem nada a ver com o desenho, mas eu queria desenhar e queria escrever, então é isso que vocês recebem.