Nunca é

cedo demais ou tarde demais. nunca na hora certa e nunca fazendo a hora certa apenas ser. talvez um pouco de talento, mas muito esforço. dom? dom, de qualquer maneira, é nome para trabalho contínuo dado por quem não quer trabalhar continuamente. então… muito dom também. e ainda assim, nunca é.

não que existissem promessas, possibilidades talvez, dessas muito distantes que ainda assim a gente sonha em conquistar. como numa guerra ou num jogo anglo-saxão qualquer, ocupar o território do outro, fincar bandeira, poder remeter aos meros mortais a partir do ponto mais alto do terreno conquistado. dali ó, de onde se imagina que o mundo é melhor e que as cores são mais belas e que as coisas são mais suas. mera ilusão gostosa de fantasiar, porque de fantasias também se constroem mundos inteiros. mera ilusão, porque, sabe-se que — como o mundo idiota não cansa de provar — nunca é.

talvez a pouco saudável grandiloquência no compartilhar de sentimentos que deveriam ser particulares seja fruto de uma vida de exposição exagerada a tempos congelados em quadros eternamente fixos nas páginas de revistas mil. ou talvez seja super compensação por ter crescido gordo. ou talvez seja só exagero puro e simples. exagero também idiota que faz acreditar em mundos de fantasia e que idiotices têm seus lugares. de qualquer maneira, super dimensionados ou não, sentimentos de nunca ser.

que pena.

desta vez, suponho, teria sido legal.

Sobre Leandro Damasceno

publicitário de formação, mestrando, ilustrador, escreve por falta de opção
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