Existem vaga-lumes ao longo da estrada por onde corro aqui no interior. Vários. Milhares de vaga-lumes pirilampiando ao longo da rodovia que segue o rio. Quando a estrada se desvia do curso das águas para subir o morro, o número de vaga-lumes aumenta. A mata que emoldura o caminho asfaltado fica viva de pisca-piscas, como se estivesse naturalmente enfeitada para um natal de pequenas luzes verdes.
Os vaga-lumes fazem a corrida menos tediosa e muito mais bonita. Acompanham durante todo o trajeto e só desparecem de fato quando volto para a cidade. Quando o verde dá lugar às casas que cada vez se estendem mais para além do que eram os limites da zona urbana como eu a conheci nos meus idos tempos de criança. Essa expansão, ao contrário do que se imaginaria, não diminuiu o número de vaga-lumes da cidade. Estão todos ali, à vista de quem resolver correr pela rodovia que margeia o rio.
É onde estou todo final de tarde, na estrada por onde vaga-lumes fazem seus shows de luzes, correndo enquanto tento entender o que te faz, naturalmente, brilhar.



