Estranhos no Paraíso


Estranhos no Paraíso: Tempos de Colégio, mais recente volume da aclamada série criada por Terry Moore a chegar ao Brasil, é a típica história que faz a gente se sentir bem.

A primeira (e quase única) vez que li Estranhos no Paraíso foi na mini-série original, publicada por aqui pela Abril. Depois até tentei acompanhar, mas as outras editoras tinham impressões e/ou preços horríveis. No entanto, vale destacar a saga “Sonho com Você”, publicada pela Via Lettera, com excelente tratamento gráfico, capas lindas e histórias excelentes. O interessante é que nem por “meios alternativos” eu li o resto da saga das amigas Francine e Katchoo. Sempre justifiquei isso para mim mesmo dizendo que era porque as meninas não eram tão interessantes assim. Mas a verdade é que, no fundo, eu queria ver ambas de volta às bancas brasileiras, com o tratamento que elas merecem. Então, agradeçam à HQM Editora, que tem se consolidado cada vez mais no mercado, lançando doses homeopáticas de trabalhos excelentes. A edição deles aqui é quase perfeita! Parabéns!

A primeira boa notícia de Tempos de Colégio, é que você não precisa saber nada do que aconteceu em outras edições de Estranhos no Paraíso para entender tudo. A segunda boa notícia: da mini-série original (lançada pela primeira vez em 1993) até hoje, Terry Moore só fez melhorar.

Nunca fui um grande fã do seu traço. Sempre achei ele um desenhista regular, competente no máximo, mas um excelente contador de histórias. Essas características mais uma vez se apresentam aqui, não raramente de forma brilhante.

Exemplo: logo no começo da primeira história, Katchoo tem que declamar um poema de sua autoria para a sala, algo que ela não quer fazer. Moore diminui o tamanho dos quadrinhos, aumentando essa sensação de desconforto ao criar um ambiente claustrofóbico para o próprio leitor, e tira os balões de fala. Nessa página, os maiores quadrinhos são os de texto, onde está escrito o poema, verdadeiro ator principal da seqüência. Nos pequenos quadrinhos de desenhos, acompanhamos quase exclusivamente a leitura do poema através da reação dos outros alunos, mais uma vez passando para o leitor a sensação de desconforto que a personagem está sentindo.

Duas páginas antes disso, éramos colocados no meio da aula de Katchoo, com a professora explicando assim um dos aspectos da poesia: “…expressar, em poucas linhas, emoções que um novelista pode levar páginas para escrever”.

Ao representar Katchoo declamando o seu poema para a turma, Terry Moore mostra, em menos de uma página, o que livros inteiros de narrativa gráfica não conseguiriam ensinar. E esse é um exemplo. Tempos de Colégio está cheio de outros tantos, o que faz dessa leitura, para quem gosta da fisiologia dos quadrinhos, um prazer especial.

Para todas as outras pessoas, seres humanos normais, que não poderiam se importar menos com isso, essa edição tem excelentes histórias, que mostram os primórdios do relacionamento entre duas meninas adolescentes que vão se tornar melhores amigas. Ao mesmo tempo, nos faz lembrar dos nossos próprios “tempos de colégio”, para o bem ou para o mal. Não se trata de lembrar para ser feliz ou para se martirizar, trata-se de viver e de se sentir, com perdão do trocadilho horrível, menos estranho.

Você pode ver algumas páginas e, se quiser, comprar a sua edição sem sair de casa clicando aqui.

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1 comentário Adicione o seu

  1. João Marques disse:

    Bom post!

    Continuem o bom trabalho.

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