Morcego

Entrou um morcegão aqui em casa hoje de noite. De verdade.

Enorme.

Eu estava escrevendo no computador da sala quando o bicho entrou pela janela da cozinha. Voou através da sala toda e pousou perto da porta principal. Eu chamei
o meu irmão.

— Du! Tem um morcego na sala!

Ele veio e, quando saiu do corredor, o morcego voou em sua direção. Nunca vi uma pessoa deitar no chão e se arrastar com tanta velocidade e vontade. Uma hora ele estava de pé no corredor e no milésimo de segundo seguinte ele estava deitado e se arrastando pela sala. O morcego voou para o quarto dele e pousou na beirada de em um dos seus travesseiros, ficando dependurado, todo fora da cama.

Sugeri que o fizéssemos voar e fechássemos a porta do quarto. Com a janela aberta, seria uma questão de tempo até o bicho achar o seu caminho para sua casa lá fora (Depois descobri que essa técnica é furada, mas na hora parecia uma idéia brilhante). O Dudu tentou fechar a porta do banheiro do quarto dele, antes de fecharmos a porta do quarto, e o danado tornou a voar, voltando pra sala.

Ficamos esperando ele se decidir, já que hora ele estava na sala, hora no corredor. À essa altura, já tínhamos nos acostumados com sua presença e estávamos curtindo a situação. Ele finalmente pousou na porta do banheiro e eu tentei jogar um pano sobre ele, mas errei. Ele voou mais um pouco e pousou no final do corredor, entre a porta do meu quarto e do quarto do Dudu.
Eu voltei para o computador, com a certeza de que uma hora o bicho ia achar um jeito de dar o fora. Quando olhei para o lado, vi o Dudu andando devagarzinho, com o cesto de roupa sujas na mão, indo em direção ao morcego. Deixei ele fazer o que achasse melhor e, de repente, eu escutei um BAM!, seguido de gritos de alegria.

— Peguei ele! Peguei! — e ele realmente o tinha pego. Cheguei no corredor e vi através dos buracos no cesto de roupa um morcego se debatendo.

O coitado ficou em pânico, tentando voar e mal conseguindo sair do chão. Mas ele logo se acalmou e eu descasquei uma laranja e piquei alguns pedacinhos.
Coloquei os pedaços de laranja dentro do cesto e ele comeu um deles. Logo depois ele começou a escalar o cesto, apoiando nos buracos, e ficou quietinho durante alguns segundos. Foi a nossa chance.

Pegamos uma toalha velha e a estendemos ao lado do cesto. Eu o peguei e coloquei sobre a toalha. Fechamos as pontas e o prendemos. Ele tornou a se debater. Mas o levamos rapidamente para a janela da cozinha, provavelmente a mesma pela qual ele entrou, colocamos a boca do cesto pra fora e soltamos uma das pontas da toalha.

Bruce voou imediatamente, em direção à noite. Sim, ele tem nome agora. Bruce. Tão feio, mas tão feio e esquisito, que se torna meio que bonito e gracioso, de
sua maneira peculiar.

Ou talvez eu esteja sendo carinhoso demais só porque e apeguei ao Bruce, porque a verdade é que o bicho é feio pra cacete mesmo.

O desenho ali em cima é do meu irmão, em homenagem ao nosso bichinho.

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1 comentário Adicione o seu

  1. semente disse:

    Hahaha!

    Em Formiga, sua casa era a Bat Caverna. Creio que os morcegos estão apenas com saudades de vocês.

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