Sobre ser famoso (ou não)

Quando o artista Mike Wieringo morreu todos os seus fãs e familiares
ficaram totalmente abalados. Sem chão e sem saber o que fazer, a sua
família se limitou a responder com agradecimentos calorosos postados em
sites especializados em quadrinhos. Entre os vários agradecimentos da
família, o de um dos seus irmãos marcou mais do que o resto. E
consistia em uma única frase repetida várias e várias vezes: “a gente
não tinha idéia! A gente não tinha idéia!”

Ele se referia às
manifestações de toda a comunidade quadrinística, de todos os fãs de
quadrinhos, de todos os profissionais, de uma verdadeira horda de
pessoas vindas do mundo inteiro, através da internet, que dedicaram
parte do seu dia (ou todo ele) para prestar uma homenagem e transmitir
uma mensagem de carinho àquele que levou algo de belo para suas vidas.
E que levou consigo algo de belo da vida na Terra quando se foi.

“A gente não fazia idéia!”

A
fama de Mike não transcendia os quadrinhos. Não da forma que a fama de
pessoas como Brad Pitt ou Liv Tyler transcende o cinema. Mike não era
uma personalidade, não era uma pessoa famosa, se medirmos a fama pelos
números da audiência. Mas Mike era famoso. Ele tocou milhões de pessoas
com seus desenhos e com suas criações. A admiração de seu trabalho era
vasta e ia além dos limites das fronteiras geográficas.

Então
como medir a fama hoje em dia? Como decidir se alguém é famoso ou não?
Pelo número de vezes que troca de namorados, que aparece na capa da
revista, que toca na rádio? Ou pelo poder que seu trabalho tem de tocar
o coração das pessoas?

A idéia romântica de que a fama está no
poder da criação é mais bem aceita, é claro, mas ainda não é real.
Ainda medimos a fama de um site pelo número de acessos. Ainda somos
doutrinados a pensar que uma pessoa faz sucesso de verdade em seu meio
quando ele é transportado para outro, como o cinema ou a televisão.
Bill Waterson, criador da melhor tira de quadrinhos de todos os tempos,
Calvin & Haroldo, dizia que ele não aceitava o licenciamento de
produtos com os seus personagens porque Calvin & Haroldo era uma
tira de quadrinhos. Era isso o que era pra ser. E que ele estava feliz
e realizado com sua tira de quadrinhos sendo “somente” uma tira de
quadrinhos. O sucesso de Waterson dificilmente vai além daqueles que
curtem histórias em quadrinhos, mas pode apostar que seu sucesso é mais
real do que o da garota melancia.

Isso não quer dizer que sou
contra a fama em seu sentido clássico. Quer dizer que sou a favor
daqueles que trabalham em função do que acreditam, que fazem o que lhes
tornam pessoas felizes e que batalham para chegar ao coração dos outros.

Mesmo que isso signifique que a maior parte de mundo não vai fazer a menor idéia.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Hans Grotz disse:

    Quem diabos é o Mike!!???

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