Processo

Estou cumprindo uma promessa e, espero, ajudando alguém. Esse é o primeiro passo-a-passo que eu faço, então seja paciente. Outros virão, talvez alguns bem melhores e mais relevantes do que esse, mas eu não estou fazendo nenhuma promessa.

Antes de começarmos, um pouco de material e contexto. Sobre o material: eu uso uma tablet Wacon Bamboo e dois programas de desenho: Manga Studio e Photoshop. Tudo o que será mostrado aqui foi criado digitalmente. Sem papel. Sobre a ilustração, esse desenho é para ilustrar um convite de formatura infantil e a personagem ilustrada é a Santa Terezinha. Esse desenho é bem mais “realista” do que eu costumo fazer normalmente e não é um bom exemplo dos meus desenhos mais comuns, mas vai servir para mostrar como faço para montar uma ilustração. Então vamos lá.

1 – Esboço

A primeira coisa em qualquer ilustração é esboçar as idéias. Como aqui o desenho é baseado em fotos e em arte sacra, o esboço é BEM mais preciso do que o normal. Em tempo, esse esboço já teve as linhas de construção (que nesse caso não foram mais do que uma bola com uma cruz no meio) apagadas. Não é uma necessidade, mas como estou querendo ser bem didático é melhor que o desenho seja “legível” à primeira vista.

2 – Arte-final 1

Com o esboço pronto, é hora de finalizar o desenho. A primeira coisa que eu faço é transformar as linhas do esboço de cinzas para azuis e em seguida diminuo a opacidade do layer. Depois eu crio um novo layer
acima do layer do esboço. É nesse novo layer que a primeira arte-final será feita.

Como eu já disse antes, a principal mudança que minha forma de trabalhar sofreu quando eu decidi migrar para o trabalho 100% digital foi a adição desse passo. Aqui eu mudo a ferramenta de trabalho para o pincel e

finalizo normalmente. Uma vez terminada a “tinta”, eu oculto o layer esboço e vejo o que pode ser mudado, o que pode ser acrescentado, o que eu não vi antes e que agora, com as linhas mais definidas, ficou claro.

3 – Arte-final 2

Eu repito a operação de transformar as linhas em azuis, diminuir a opacidade e criar um novo layer. O layer esboço ainda está oculto e a minha guia será o layer arte-final 1.

A arte-final 2 consiste basicamente de tirar ou colocar elementos para definir melhor o desenho. Se eu estivesse trabalhando em uma ilustração em preto e branco, essa fase seria a mais longa do processo, porque eu sou compulsivo. Como ainda vamos falar de cor aqui, a “tinta” é quase que exclusivamente um contorno do desenho, deixando a maioria da função de adicionar profundidade para as cores.

4 – Cor 1

Aqui termina a fase do desenho feita no Manga Studio. É uma pena que o programa tenha esse nome no ocidente. Tenho certeza que o nome afasta vários artistas e cria antipatia em um monte de gente. No Japão, onde foi criado, o programa se chama Comics Studio, nome que, eu acho, atrairia mais gente ou pelo menos não criaria tanta aversão. Mas vai por mim: o Manga Studio é foda! É um programa de desenho, não um programa de fazer mangá (se é que é possível existir alguma coisa assim). A linha do Manga Stuido é infinitamente melhor do que a do Photoshop e a sua resposta à pressão da tablet é bem melhor também.

Apesar de ser possível colorir no Manga Studio, ainda prefiro colorir no Photoshop. Primeiro pela infinidade de recursos. Segundo pela possibilidade de trabalhar várias cores em um mesmo layer, algo impossível no Manga Studio.

Tá, então exportamos o desenho do Manga Studio para o Photoshop e agora vamos preparar o arquivo para receber as cores. Como meu computador não é dos melhores, eu tenho que exportar um JPG de alta. Abro o JPG no Photoshop, dou um clique duplo no layer “background”, dou-lhe o nome “desenho” (ou lineart ou arte ou o que vc quiser), e depois dou OK. Na barra de menu superior escolhi SELECT>COLOR RANGE. Na caixa de diálogo que irá aparecer cliquei na setinha ao lado Sampled Colors e selecionei Highlights. Quando você fizer isso, vai perceber ao voltar para o desenho que todas as partes brancas foram selecionadas. Cliquei DELETE, criei um novo layer, preenchi-o de branco e o arrestei para baixo do layer desenho. Mudei o nome do layer branco para BG (ou fundo ou background ou qualquer coisa assim).

Estou agora com dois layers. Um somente com o desenho e outro todo branco. Criei um terceiro layer entre os dois e dei a esse o nome de CORES.

Agora é escolher as cores com as quais vou trabalhar e colorir. Como eu não sabia se a cor do véu seria essa quando comecei a colorir, resolvi colocar a cor do véu em outro layer. O mesmo com as flores. Aqui não estou procurando por nada definitivo. Assim como o esboço quando estamos começando a desenhar, as primeiras cores são quase como testes. Nesse caso, testes muito certeiros, já que tenho referências fotográficas a seguir. Uma vez definidas quais serão as cores de todas as partes do desenho, é hora de salvar e partir para as sombras e luzes.

5 – Cores 2

Chegou a hora de escolher as sombras e luzes do desenho. Aqui eu crio novos layers, mas com uma diferença. Selecionei, por exemplo, o layer flores, onde estão as cores chapadas das flores. Na parte inferior da caixa de layers (onde estão a lixeira de layers, o ícone para criar um novo layer, a corrente para unir layers e etc.) eu clico, apertando o ALT, em Create New Layer. Uma caixa de diálogo irá aparecer antes do layer ser criado. Marque a opção Use Previous Layer to Create Clipping Mask e dê OK.

Isso significa que o novo layer usará o layer abaixo dele como máscara. Ou seja, qualquer coisa feita no novo layer só irá aparecer nas partes preenchidas do layer que está abaixo dele. Faça testes antes de usar essa técnica, mas recomendo que você a domine porque vai facilitar muito a sua vida.

Outra coisa que fiz aqui foi especificar as instâncias do pincel. Para isso, primeiro você tem que abrir a caixa de controle de pincéis (F5). Em Brush Tip Shape, defina o spacing em 1%. Em Other Dynamics, defina Opacity Jitter como pen pressure. Isso significa que você poderá controlar a opacidade da ferramenta que estiver usando de acordo com a pressão da tablet.

De volta ao desenho, vamos colorir. Defini que nesse desenho a luz estaria vindo da esquerda, iluminando o rosto da santa, e corri pro abraço. Terminadas as cores, coloquei alguns pontos de luz, em branco, que ajudam a definir as formas e a fazer com que o desenho adquira um aspecto ainda mais tridimensional.

Terminadas as cores é hora de salvar uma versão em PSD, depois voltar ao menu superior, selecionar LAYER>FLATTEN IMAGE, e salvar uma versão em JPG de alta. Feito isso, eu dou CTRL+ALT+i, diminuo a definição para 72 dpi, acerto o tamanho em pxls que eu quero e salvo de novo, agora na pasta de desenhos em baixa.

Espero que esse primeiro passo-a-passo tenha ajudado te ajudado e fique ligado para outros ainda mais inúteis.

Abraço!

Anúncios

1 comentário Adicione o seu

  1. Furmigaotora disse:

    E agora eu semi-dupliquei o comment.
    (fraquíssima).

    Mesmo assim melhor eu repetir: vou usar como referência.

    Abraços.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s