POLIFONIA #001

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Por volta de 2005 ou 2006, enquanto eu lia uma tonelada de tiras de quadrinhos, pensei pela primeira vez em criar uma tira minha.

Em teoria, a coisa soava maravilhosa. Eu poderia criar personagens próprios, com personalidades distintas, inserir um monte de participações especiais, personagens secundários, romances e afins, tudo em apenas três quadrinhos ou menos. Mas quando sentei para desenhar percebi duas coisas desanimadoras. A primeira era que eu não tinha a habilidade como desenhista para fazer um tira de quadrinhos e a segunda era que fazer uma tira era mais difícil do que eu pensava.

A primeira dificuldade era uma questão de prática e de nunca desistir. Apesar de, em alguns momentos, eu não ser o mais trabalhador dos desenhistas, ao longo dos anos descobri que desenhar faz parte de mim e é algo que nunca deixarei de fazer. Mesmo sabendo das minhas limitações, da minha falta de conhecimento técnico ou da completa burrice quando se trata de desenho básico, eu nunca vou deixar de desenhar.

A segunda dificuldade foi um tanto estranha. Ao estudar sobre tiras de quadrinhos, percebi que uma reclamação constante dos artistas era a necessidade de criar novas histórias o tempo todo. Isso não é e nem nunca foi um problema pra mim. Sei o quanto isso soa arrogante, mas não peço desculpas. Quando eu pensei em fazer uma tira, criei os personagens principais e enchi duas folhas de um velho caderno de esboço de tamanho A3 com ideias e conceitos que eu achava que poderiam ser usados. A dificuldade em se fazer uma tira, pra mim, estava na necessidade de regularidade.

Como já disse em outros lugares, meu trabalho varia entre períodos de enorme produção e períodos em que eu não faço nada. Ou quase nada. Quando produzo muito, eu não paro. Dia e noite, sol ou chuva, madrugada, finais de semana, feriados ou dias santos. Quando eu não estou produzindo, me pego indo ao cinema numa segunda-feira braba, quando o resto do mundo inteiro está indo trabalhar.

A verdade é que essas duas dificuldades seriam para sempre as desculpas que eu usaria para nunca fazer um tira se não fosse uma epifania que aconteceu a poucos dias atrás. Sem entrar em detalhes, basta saber que finalmente criei coragem para colocar na boca dos meus personagens coisas que eu gostaria de dizer, coisas que são importantes pra mim, coisas que fazem sentido. Ao invés de simplesmente buscar pela piada, desisti de lutar contra aquilo que, de repente, pareceu –me óbvio e fazer.

Em uma típica explosão de produção, criei 12 tiras em dois dias e decidi que esse impulso era forte o suficiente para que não parasse mais.

E aqui está a primeira tira de POLIFONIA. Essa não foi a primeira que escrevi na vida, nem é a melhor ou a mais bem desenhada. Mas é um bom ponto de partida. Lutei contra mim mesmo para não redesenhar as tiras antigas, como essa aqui, por exemplo. Parte de mim gostaria de apresentar todas com uma nova roupagem, mas a nostalgia falou mais alto. E outra, descobrir ao longo do tempo a evolução de um artista (ou, no meu caso, a completa falta de coerência para com designs que eu mesmo criei) é uma das coisas que torna a leitura de tiras de quadrinhos tão atrativa.

POLIFONIA terá uma nova tira todas as segundas, quartas e sextas. Terças e quintas teremos uma ilustração de um dos personagens (ou de ambos) ou uma piada de uma página.

Espero que vocês gostem e que voltem para ver mais de POLIFONIA todos os dias.

Abraços,
Leandro

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