Voar

Várias das coisas que me encantavam quando eu era criança continuam a me fascinar. Entrar nos detalhes da minha incapacidade de amadurecer não cabe aqui, mas basta dizer que viagens espaciais e exploração lugares “onde nenhum homem jamais esteve” ainda são assuntos que fazem meu sangue circular mais forte.

Sempre que ouço algo sobre cortar verbas para o programa espacial de algum país, eu morro um pouquinho por dentro. Quero ver as verbas aumentarem, cientistas extrapolarem as fronteiras estabelecidas e tentar novas formas de propulsão, por exemplo. Vamos “para o alto e avante”, pelo amor de Deus. Parar com essa mesquinhez que parece ser inerente ao ser humano e voar.

Na foto que ilustra esse monte de bobagens que estou escrevendo você pode ver a Discovery na plataforma de lançamento 39A, quase pronta para a missão STS-131. O ônibus espacial como o conhecemos está com os dias contados (serão 134 missões até a aposentadoria definitiva), o que é fundamental. O design desse tijolo que voa está defasado, não é mais seguro e já passou da hora de introduzir um outro veículo de viagem espacial. Um que seja manobrável, desenhado par voar de fato e não para subir com uma explosão e para cair com a graça de um hipopótamo bailarino. Infelizmente, os desenvolvimentos nessa área parecem se destinar mais à viagem espacial comercial do que à exploração de novas fronteiras, mas a exploração comercial sempre vai existir em qualquer área da vida. É da nossa natureza, vivemos em um mundo que, de certa forma, demanda isso e não tem muito como fugir. Mas, a utilização de capital particular para pesquisa e desenvolvimento de novas formas de voar além órbita não deixa de ser uma boa ideia.

Qualquer dia desses tenho que escrever e desenhar uma HQ colocando essas coisas dentro de uma história e tentando fazer tudo isso fazer sentido dentro de uma narrativa com início, meio e fim. Coisas que esse post parece não ter.

Agora vamos voltar a olhar para a Discovery pronta para ir ao espaço mais uma vez (clique na imagem para vê-la maior ), porque é uma linda imagem que registra o quanto podemos pensar e construir para além da bunda magrela da Paris Hilton e vampiros dominando a literatura infanto-juvenil mundial.

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