Post “diário”

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Relembremos os anos 90, quando blogs ainda eram descritos como “diários virtuais onde as pessoas postam seu dia-a-dia e falam sobre suas impreções a respeito da ‘vida, do universo e tudo mais'”.

Nesse sentido, esse é um post diário-virtual. Não vou demorar muito.

Hoje, tive o prazer de ir a uma manhã de autógrafos da escritora Cristiana Guerra. Cris (se ela me permite a intimidade) é uma guerreira! Desse tipo de gente que, quem conhece, se torna imediatamente uma pessoa melhor só por tê-la conhecido.

Cris perdeu o namorado quando estava no sétimo mês de gravidez. O coração do pai de seu filho parou de bater e ele se foi, qunado contabilizava pouco mais de 38 anos. Assim, de repente. Como Cris é especial, ela teve uma ideia brilhante e simples, como são a maioria das ideias brilhantes desse mundo: ela começou a escrever um blog com textos que explicam para o seu filho, chamado Francisco, quem foi o pai dele. Talvez o fato de ter conseguido executar sua ideia com competência seja ainda mais louvável do que ter tido a ideia, mas isso é assunto para outra hora.

O blog PARA FRANCISCO cresceu e se tornou um jeito de, nas palavras da autora, “tentar entender e explicar dois sentimentos opostos e simultâneos vividos pela viúva e mãe que, no caso, sou eu”. E se tornou também livro. Foi esse livro que comprei hoje! Ainda ganhei de bônus um autógrafo e um abraço da autora.

O livro, que também se chama Para Francisco, compila textos antes publicados no site e material inédito. Eu comecei a ler ainda na livraria e fui devorando o livro rápido. Porque o texto é bom, sim, claro; mas também porque ler as palavras da Cris devagar é complicado. Seu texto é, como eu descrevi para um amigo, “uma porrada delicada”. Quem já tomou porrada sabe que, por mais delicada que seja, machuca e dói e deixa marcas. Então o melhor é, pra mim, entrar e sair da luta rápido. Mas eu sei que depois eu volto pro ringue, para curtir mais um pouquinho da brutal delicadeza dessa moça sensacional.

Não consigo nem imaginar o que a Cris passou ou sentiu desde a morte do pai de Francisco, mas, através do seu trabalho, eu imagino e sinto. Mesmo que nunca tivéssemos nos encontrado, eu e ela estamos juntos, pelas palavras, nos reunindo através de textos que, de certa forma, foram pensados mesmo para reunir. Especificamente, para reunir um filho ao pai que ele nunca conheceu, mas que também reúnem uma autora aos seus leitores, nos coloca juntos e nos torna cúmplices de uma história que não é nossa.

Foi um prazer ter conhecido a Cris hoje e está sendo um prazer ler o seu livro.

Felicidades para ela e pro Francisco.

nas palavras da autora
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