Vocês

Ainda converso com você, mesmo sem ter você aqui.

Imagino suas respostas e suas reações. Adoro quando você concorda com o que digo e, claro, detesto quando você desaprova. Existem milhares de você em mim.

Entre sorrisos e caretas, vamos conversando essas conversas etéreas, que só existem porque preciso que existam. Porque só assim me mantenho ligado ao que foi tão intenso e que não existe mais. Ou existe, mas restrito aos pequenos pedaços de faz-de-conta que insisto em criar.

No meu mundo de mentira, todas que compõem o meu “você” têm seus encantos e todas têm seus defeitos. Alguns desses inventei por minha conta, outros são tão reais quanto podem ser em fantasia. E não diga que fantasias não podem ser. Deixe-as acontecerem. Bata palmas para que não morram. São fantasias suas também; você gostaria de se reconhecer nelas, mesmo sabendo que nenhuma é você de verdade. Nenhuma pode ser. Nada pode conter tudo o que você é, muito menos tudo o que você representou.

Desde que você se foi, converso com você, mesmo sem ter você aqui, porque só assim encontro algum propósito, alguma direção. Você foi minha bússola, meu farol, o porto que encontrei na tempestade. Apareceu quando eu achava que não existiam mais portos e que a tempestade era eterna. Você foi meu verdadeiro norte.

As “vocês” que conjuro em brincadeira agora fazem um trabalho porco de tentar te substituir. Nenhuma aponta para lado algum. Não como deveriam, pelo menos. Mas são, ainda assim, pequenos “vocês” em mim. E só por isso, amo cada uma delas.

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