Mudo

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E se pudéssemos mirar o silêncio e atirá-lo qual uma flecha de arqueiro medalhista olímpico?

Seria viável improbar alguém ao silêncio dos outros?

— Tu estás condenado a nunca mais ouvir de quem te gosta — disse o juiz sem remorso.

Fez uma pequena pausa como que para analisar a reação do réu, que mal conseguiu se mexer, antes de continuar a sentença:

— Nunca mais saberás o que aqueles que te admiram pensam a seu respeito, não saberás se estão vivos ou mortos. Serás, daqui em diante, de tal oblívio que não ouvirás as músicas que por ventura forem compostas para ti, nem os poemas escritos em sua homenagem. Não saberás se cantarão por ti ou se chorarão por ti. Não se importe em ouvir o adeus dos seus. O silêncio ao qual está sentenciado já começou.

E se fosse possível dar silêncio de presente?

— Bem, gente — disse o pequeno Tomás olhando nos olhos de seus progenitores — neste natal, eu quero nunca mais ouvir nada vindo da Tia Claudete. Tudo o que ela faz é reclamar que eu não sei limpar meu quarto, minhas mãos, meu cabelo, minhas unhas e meu nariz. Então, por favor, me dêem uns 10 anos de silêncio dela, sim? Até lá já terei me mudado de casa e provavelmente já terei tido tempo para lembrar da Tia Claudete com algum carinho. Talvez.

Silêncio.

Você preferiria dar ou receber?

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