Segredo

Te escrevi uma carta de amor que nunca vou mandar.

É que têm coisas que só cabem em cartas não enviadas e não lidas. São dessas que fala essa carta que não mandarei. Você nunca saberá que foi escrita pra você, que você providenciou todos esses sentimentos postais. Jamais poderá provar para as amigas que foi tanto na vida de alguém.

São como aquelas categorias que dizem, sabe? Existe o que deve ser dito e o que nunca deve ser dito. Mas temos que aprender sozinhos, da pior maneira, que existem outras categorias e uma dessas outras é a das coisas que devem ser ditas, mas nunca reveladas. Você é assim agora, alguém que quase está aqui.

E isso é uma mudança importante, eu acho. Houve tempo em que você era tanto que tomava a maior parte de tudo. Perceber que agora você cabe numa categoria dá a sensação de que existem espaços abertos, prontos para serem preenchidos por outras pessoas erradas em tempos incorretos. Claro! É sempre assim mesmo com sentimentos que impulsionam cartas de amor.

Está ali, a carta, na pasta… junto de desenhos velhos, textos antigos e amores esquecidos. O que você um dia também será.

2 comentários Adicione o seu

  1. samantafloor disse:

    “He went on for some time while I sat listening in silence because I knew he was right, and like two people who have loved each other however imperfectly, who have tried to make a life together, however imperfectly, who have lived side by side and watched the wrinkles slowly form at the corner of the other’s eyes, and watched a little drop of gray, as if poured from a jug, drop into the other’s skin and spread itself evenly, listening to the other’s coughs and sneezes and little collected mumblings, like two people who’d had one idea together and slowly allowed that idea to be replaced with two separate, less hopeful, less ambitious ideas, we spoke deep into the night, and the next day, and the next night. For forty days and forty nights, I want to say, but the fact of the matter is it only took three. One of us had loved the other more perfectly, had watched the other more closely, and one of us listened and the other hadn’t, and one of us held on to the ambition of the one idea far longer than was reasonable, whereas the other, passing a garbage can one night, had casually thrown it away.”
    – Nicole Krauss

    sempre penso nesse livro e nesse trecho quando o amor acaba.

    1. Leandro Damasceno disse:

      ‘Brigado, Sam. Vc é o sensacional!

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