Aqui está uma coisa que aprendi há algum tempo e que tento não esquecer. Se te deixarem parar de olhar pra buceta da Carolina Dickman durante alguns segundos, quem sabe seja possível partilharmos de conhecimento meio fermentado, meio cru. Segue:

No oriente médio de outrora, quando um artista fazia alguma coisa que era considerada “fora deste mundo”, quando um dançarino, por exemplo, performava de alguma maneira que suplantava todas as suas outras performances, aqueles que ali estavam na roda, assistindo ao espetáculo, gritavam “Alá!, Alá!, Alá!”. “Deus!, Deus!, Deus!”

Essas excalamções davam a entender que aquela pessoa estava, naquele seu momento de glória suprema, sendo um canal para a manifestação do divino, ela estava imbuída de poder extraordinário e demonstrando para os meros mortais que a testemunhavam um pequeno pedaço da perfeição celestial.

Quando os mouros invadiram o sul da Espanha, levaram consigo essa tradição. Uma vez ali, influenciada pela nova língua, a pronúnca da palavra mudou e ainda hoje uma versão desse canto pode ser ouvida em diversos eventos espanhóis, agora rebatizada como “Olé!, Olé!, Olé!”. No entanto, o motivo de “Olé!” ou “Alá!” ser invocado continua o mesmo: o testemunho de algo que desafia o que era tido até aquele momento como o limite da capacidade humana numa determinada atividade.

E é na possibilidade de sempre termos este “Olé!” de extraordinariedade em nossas vidas o que penso sempre que acho que o limite da visão do mundo se mede via a demência de subcelebridades.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s