Cobiaco segue na trincheira

O Pedro Cobiaco respondeu o meu texto anterior com um comentário tão sólido que eu decidi transformar o comentário dele em um post. Segue:

Leandro, em primeiro lugar: bonito texto, cara.

Mas agora vou falar minha opinião, desenrolar melhor o que eu tentei dizer em alguns tweets – que nunca são o suficiente: Tu acertou em parte o que eu queria dizer. Vou explicar sem responder tópico por tópico do teu post, apenas escreverei explicando como vejo a situação atual do rock n’ roll.

Bem, pra começar, queria deixar claro que o século 21 não trouxe junto com ele, de modo algum, a morte do rock n’ roll. Existem muitas bandas fodas por ai. Algumas, como os White Stripes, infelizmente já acabaram. Mas na ativa, ainda temos coisas incríveis, como o próprio Jack White, ou o duo Black Keys, que eu mesmo acho bem melhor que o Guns N’ Roses, por exemplo. Temos também bandas incríveis surgindo, como o Alabama Shakes, que acabou protagonizando meu show favorito do Lollapalooza. Esse disco deles – o primeiro e único até então, a banda é super novinha -, Boys & Girls, só tem música boa. Coisa bonita. Temos também bandas pauleira fudidas como QOTSA ai na ativa, quebrando tudo.

O que me faz falta não são bandas quebrando quartos de hotel, bandas mijando em postos de gasolina, lendas a respeito de chocolates encaixados em certos orifícios e outras cositas mas. Isso sempre foi apenas um bônus, um extra mais que bem vindo, porém descartável do rock n’ roll. O que me importa mesmo é a música, a atitude. E existem ótimas bandas por ai, apesar da maioria das pessoas preferir sentar o dedo no teclado e ficar falando merda do Justin Bieber (como se alguém precisasse mesmo constatar que o cara é péssimo) e ficar fazendo essa publicidade gratuita pra ele ao invés de simplesmente ir atrás da música boa de verdade ou, melhor ainda, FAZER música boa de verdade. Não tem desculpas, os Ramones começaram a banda sem saber tocar merda nenhuma, e sempre fizeram muito com muito pouco.

Então, uma das coisas que fode é realmente essa geração Felipe Neto bundona que fica sentada reclamando ao invés de se mexer pra mudar a cena.

Mas o que eu realmente acho que o rock, que o mundo, que a arte está precisando agora é um movimento. Um movimento foda, como os que rolaram, década após década, ininterruptamente, dos anos 50 até os 90 no rock n´roll. Flower power, punk, heavy metal, grunge, você escolhe. Todos esses movimentos fizeram a música quebrar barreiras, a música ir além do disco, interferir na moda, cuspir na cara da sociedade conformada, educadamente abrir a braguilha e mijar em algumas besteiras feitas anteriormente no ramo.

Um movimento, onde os perdidos se encontram e formam massa, entende?
E os movimentos do rock quase sempre – se não sempre – foram protagonizados por jovens, adolescentes, frutos da geração anterior, só eles saberiam exatamente o que todos os outros jovens estavam sentindo.

Por isso digo que me animou um pouco, ver o Strypes tocando. Porque não falta música boa no século 21, sem dúvidas. Mas eu quero poder ouvir MINHA geração fazendo rock n’ roll de atitude, quero ver pessoas da minha faixa etária cuspindo rancor, alegria e seja o que mais eles, nós, quisermos botar pra fora. Esses movimentos começam com um grupo pequeno de bandas, que inspiram milhares, dezenas de milhares de outras bandas a surgirem.

Eu realmente, realmente sinto que algo assim está pra acontecer bem em breve. Mais do que sentir, eu desejo que aconteça. O mundo, o marasmo, o conformismo imbecil que tem permeado os últimos anos, todos esses elementos fazem surgir uma necessidade de algo pra chacoalhar a estrutura. Algo pra mostrar pra todos, em especial para os mais novos, as possibilidades, abrir horizontes, escrachar na cara de todos que existe mais do que essa vida ridícula encaixada em ciclos repetitivos e tediosos.

Isso pode partir de qualquer ramo da arte. A arte tem essa necessidade de contribuir mais para com o mundo. Porra, eu sei que é bonitinho ficar ai fazendo essas pinturas, músicas ou quadrinhos falando sobre como é triste levar um pé na bunda, eu mesmo faço alguns.
Mas a arte é mais que isso, a arte é mais do que esse egoísmo, ela pode e tem que prover algo de volta para o mundo, para a vida, para a sociedade. A arte pode mudar muitas coisas, quebrar muitas barreiras.

Talvez o rock n’ roll protagonize mais uma mudança, mais um movimento, tomara.

Eu que não vou ficar aqui só reclamando, que eu não sou o Felipe Neto. Já montei uma banda com um amigo.

Se alguma coisa realmente acontecer como eu sinto que pode acontecer, não quero só assistir, quero estar do lado de dentro.”

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